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Segunda-feira, Agosto 25, 2008
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3:08 PM
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Eles são covardes
Ouvi tanto essa frase essa semana, que fica difícil não escrever sobre o assunto. A última delas foi de um amigo homem, que admitiu categórico: eu sei que fui covarde, mas a gente é assim mesmo. Sim, são, mas nem todos. Existem sim os que bancam as merdas que fazem (assim como há mulheres que não bancam). Mas são exceções. Quantos homens você consegue lembrar que assumem seus erros? Quantos pedem desculpa? Eu só me lembro de um. Era um filho-da-puta de naipe maior. Mas assumia. Me sacaneava e ligava depois dizendo que tinha mandado mal. Acreditem, perdooei inúmeras vezes.
Até porque covarde é uma coisa que nunca fui. Uma vez peguei (bêbada) um amigo do cara que eu ficava e liguei no dia seguinte pra assumir o erro. Fiquei com o ex da amiga e acordei contando pra ela. Faço, erro, quem nunca fez que atire a primeira pedra, mas nunca vão poder dizer que escondi nada. Não ponho sujeira debaixo do tapete, não finjo que não foi nada de mais, jogo a merda no ventilador mesmo.
Mas, por ser assim, corajosa demais, não aprendi a lidar com a covardia alheia (nem masculina, nem feminina). Se você meu caro, ficou comigo e depois cansou, não vá sumir quando eu ligar. Atenda e diga: oi querida, não tô mais afim. Não venha ficar com alguém na minha frente e pensar que eu entendi o recado. Até entendi, mas nunca fui do tipo que aceita coisas ditas nas entrelinhas. Se você fizer isso, te acho um canalha covarde. E esses eu não pego de novo. Só os sinceros.
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Sábado, Agosto 23, 2008
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8:28 PM
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Olhar 69
Por mais fino e elegante que seja um homem, nada o deixa mais ogro do que seu olhar 69. Diferente do olhar 43, esse sim de um charme nato (peculiar a todos os cafajestes, admito), o olhar 69 é tosco. Vulgar. Baixo mesmo - e literalmente. Na maior parte das vezes ele é dirigido da cintura pra baixo, mas há os que prefiram um decote. Não importa o alvo, o olhar 69 só quer dizer uma coisa: quero te comer. Há, claro, variações (quem me dera poder te comer, quero te comer de novo, queria poder te comer), mas a mensagem é claríssima e patética. Sabe a cena cena típica do cachorro olhando o frango de padaria? Só faltava a baba escorrendo.
Dias desses, num samba, um amigo - fiel e muito bem casado, diga-se - não parava de mirar uma cabrocha daquelas bem carnudas. Eu não conseguia tirar os olhos da cena e me dei conta de como os homens são submissos, sim submissos, diante de um pedaço de carne. Me lembrei de um episódio (já citado no blog, creio eu) que ilustra bem essa submissão. Um motoqueiro que se virou pra conferir meu material em pleno trânsito e deu com a roda no poste. Ainda bem que ele tava devagar, coitado.
Confesso que não me sinto muito confortável quando sou o alvo deste tipo de olhar (daí talvez prefira evitar saia curta), mas há quem goste. Principalmente em dias de baixa auto-estima, dizem algumas amigas. "Nessas horas, nada como passar em frente a uma obra". Tô fora. Seja pelo tamanho avantajado da minha bunda, seja pela auto-estima freqüente (mesmo dez quilos acima do peso), eu nunca fui adepta deste tipo de elogio carnal. Mas vejam bem, é claro, que estamos falando de desconhecidos. Não vale praquele cara que já te comeu, nem o que acabou de comer. Na cama, a história é outra, mas isso fica pra outro post.
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Quarta-feira, Agosto 13, 2008
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1:08 AM
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Todo amor que houver nessa vida
Sentou, pensou em lágrimas, engoliu em seco. Ela preferia aguar o bom do amor. Tinha alguém que estivesse sempre com ela, na chuva, na rua, na fazenda? Não tinha. Queria? Não sabia. Ela pensou em lágrimas de novo e de novo engoliu em seco. A outra queria a sorte do amor tranqüilo; ela tinha tido e havia cansado dele. O sabor da fruta mordida tinha sido há muito tempo, e deste ela também havia cansado. Depois de tantos verões passados, e outros que ainda passarão, quem passava era ela.
No caminho de casa, uma boa lembrança e ela pensou em ligar. E no segundo seguinte uma lembrança triste a fez mudar de idéia. Ela vivia a dúvida em si mesma, a dúvida que lhe assustava e que ao mesmo tempo lhe impulsionava. Mas ela sabia que nunca havia se dado bem com certezas. Ela precisava do medo. O frio na barriga da montanha russa, a dor na espinha do colégio novo, a sensação de ter sempre algo surpreendente pela frente. Ela era assim desde pequena, embora em alguns momentos tenha dito, pros outros, que não. Mas ela, só ela, sabia que sim.
Acendeu um cigarro, pegou o telefone, ligou para uma amiga. Falou amenidades, pensou no dia seguinte, esqueceu por instantes. Já na esquina da rua, a lágrima de novo tentou escapar. Ela resignada, deixou, mas a lágrima havia desistido por si só. Ela então lembrou do dia anterior, e a lágrima que não veio antes quase se transformou em um sorriso tímido de canto de boca. Ela tinha a sorte do amor tranqüilo e o sabor da fruta mordida. Ela tinha escolhido assim. E teria que aprender a lidar com isso. O acaso, pelo menos, já estava ao seu lado.
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Quarta-feira, Agosto 06, 2008
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10:50 AM
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Lá vem o sol
Ela não entendeu quando viu a foto no chão, nem quando a tal caneca caiu e quebrou, sem motivo algum. Quando procurou o e-mail na caixa de entrada, percebeu que todos os rastros tinham sido apagados. Ele não fazia mais parte de nada. Ela riu. Nem tinha percebido a ausência. Nem tinha sentido falta da lembrança. Nem saudade. Saudade do que não havia sido, convenhamos, não é pra se sentir mesmo. Ela então pensou como o mundo era estranho, lindamente estranho e surpreendente. Pensou em como tinha chorado, em como tinha doído. E ela riu de novo. Nem tinha percebido quando a dor parou de doer.
Ela tentou se lembrar quando ele se foi, não o dia da chuva, mas quando ele se foi de verdade. E ela não lembrava. Não lembrava de quanto tempo fazia, não nos dias contados, porque esses a gente marca na agenda e controla. Mas na euforia dos últimos meses, o temporal parecia ter sido há anos. Ela riu de novo das voltas que a vida dá. E se lembrou dele com carinho, como uma coisa que passou, sem muito marcar, sem ser muito bom ou muito ruim. Ele talvez nem tenha percebido que ela tinha ido. Mas ela sabia que tinha ido de vez.
E foi aí que ela entendeu. Lembrou que a chuva tinha sido forte, mas que era chuva de verão. Daquelas que vêm e vão, que alagam tudo, fazem poças, molham por dentro e por fora. Mas da mesma forma que fazem estragos, passam de uma vez. E ela entendeu que foi-se tudo com a chuva, dor, incertezas, inseguranças, sonhos frustrados. E nesse momento, como num estalo, ela lembrou que tinha tido outra chuva, daquelas boas, que fazem a gente ficar mais na cama, ouvindo os pingos caírem, sem querer sair do cobertor. E daquela chuva ela não teve medo. Esperou passar, se aqueceu, saiu do novo abrigo e comprou um guarda-chuva. E ele ainda está lá. Com ele à tiracolo, ela sabe, temporal nenhum vai assustar mais.
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Segunda-feira, Agosto 04, 2008
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11:37 AM
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Freedom
Lembro que no meu primeiro namoro, há uns bons dez anos, eu achava normal acompanhar o menino no futebol às quintas. Ele me convidava, até meu pai ia, mas o que eu ia fazer lá mesmo assim eu não sei. O segundo até tentou me fazer sair à noite sem ele, mas a bobinha aqui achava que não tinha graça alguma fazer programas sem o querido namorado. Uma vez ele quase me empurrou pra dentro de uma boate (eu não queria entrar porque ele não ia, mas minhas amigas tavam todas lá, me ligando); em vão, eu não fui. Com o terceiro, as coisas até melhoraram, mais pela pasmaceira dele, que não queria nada além de cineminha às sextas, do que por qualquer outra coisa. Aprendi que sair só com as amigas mesmo namorando era ótimo.
Hoje, o apreço pela individualidade deve ser o que mais prezo numa relação. Não significa não querer a companhia do rapaz, nada disso. O ideal é quando, num namoro, a pessoa se encaixa em quase todos os seus programas, sem ficar deslocado com suas amigas, ou te deixar sozinha num canto nas festas com os amigos do colégio. Mas, ora bolas, a gente não precisa ir na festinha dos amigos do colégio sempre, precisa? E ele também não vai querer aparecer de surpresa na casa da sua amiga no dia que vocês marcaram um programa-mulherzinha, acredite. E isso é ótimo, não há nada mais saudável numa relação.
Tenho um monte de amigo - e isso inclui as mulheres - que vibra quando a cara-metade viaja. É a chance de sair, beber pra cacete, cair na gandaia. Não necessariamente vai trair, até porque trair, minha gente, quando se quer mesmo, é na hora do almoço do expediente. Mas aí o namorado volta, ela volta a se trancar em casa, no máximo um aniversário da amiga que ele vai junto, e fica sentado no sofá, de cara feia, olhando pro relógio. Aí, o tempo passa, o cara resolve dar um pé na bunda na menina, e o que acontece? Ela sai igual a uma louca atrás das amigas, que cansaram de chamar ela pra sair na fase acompanhada. Pra recuperar o tempo perdido no namoro. Tempo perdido? Nos meus namoros eu não perco tempo algum, só ganho.
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Sexta-feira, Agosto 01, 2008
Posted
2:53 PM
by Marina G
Com ou sem namorado
Chega o carnaval e me lembro que, tirando um em 2001, que passei sossegada em Marataízes, desde os 16 anos passo a data namorando. E de lá pra cá, foram maluquices na Região dos Lagos, bebedeiras em Ouro Preto e na Ilha Grande, e carnavais na Sapucaí. Este ano, em um carnaval com amigos casais que ficaram em casa à noite, me pergunto: porque afinal ninguém gosta de fazer merda namorando? Porque os homens mais galinhas e bagunceiros, ficam tão diferentes com uma namorada à tiracolo?
Machismo é a primeira coisa que me vem a cabeça. Afinal, eu posso ficar bêbado, caindo pelos cantos e dançando até o chão, mas minha namorada tem mesmo é que manter a linha e ficar quietinha em casa. A desculpa é até cabível em alguns casos, mas a verdade, acho eu, é que a maioria das pessoas, e aí incluo homens e mulheres, sai à noite mesmo pra se arranjar. E bebem pra ajudar. Acompanhados, o ritual doideira não faz o menor sentido.
Eu, que sempre gostei de farra, namorando ou não, sou exatamente a mesma pessoa nos dois casos. Ok, já tive namorado que era como o machista do primeiro grupo e detestava se aborrecer levando namorada pra night. Eu, que não sou boba nem nada, continuava saindo. Sem ele. Já tive o tipo sossegado que era mesmo de ficar em casa. Principalmente quando estava namorando. Senti saudade das farras e o namoro acabou.
Com quatro namoros sérios nas costas e durante o carnaval, com todo tipo de problemas, brigas e ciúmes, posso aconselhar: seja você, com ou sem namorado. Curta a farra, se é de farra, curto cineminha e DVD, se for mais sossegada. Mas nunca deixe de fazer o que você gosta pelo outro. Conciliar é a palavra-chave. Ser de um jeito namorando e de outro solteiro, acaba de dois jeitos, sempre: com o fim do namoro ou com o fim da sua personalidade.
P.S.: O post é velho, mas estava perdido no arquivo (e eu queria que tivesse no livro).
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Quarta-feira, Julho 30, 2008
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1:43 PM
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You're so vain
Ele não fala mais com você no trabalho porque acha que pode te fazer mal. Ou para de te ligar pra saber como andam as coisas porque tem certeza que você ainda está apaixonada. Deixa de responder um torpedo despretensioso, achando que pode te encher de esperanças. Não importa o motivo - pena, proteção, desprezo, arrogância - a pretensão masculina é por demais irritante, convenhamos.
Começa na fase da conquista, quando eles simplesmente acham que estamos dando mole por sorrir, chamar pra dançar, perguntar as horas, querer o isqueiro emprestado. Se somos mal educadas e ficamos de cara fechada na abordagem, somos marrentas; se rimos, porque afinal o cara é engraçado - ou ficamos constrangidas com a aproximação, acontece também - estamos dando mole. Se vocês se encontram por acaso na rua, ele tem certeza que você estava indo atrás dele; se você liga pra dizer oi, já tá pensando em casamento. Homens, homens, um oi pode ser só um oi. Um sorriso pode ser só um sorriso.
O cúmulo da pretensão, entretanto, acontece na fase do pé na bunda. Ele acha que você vai chorar pra sempre, não vai esquecer nunca, que a fossa jamais vai passar. Melhor até se afastar, pra não te fazer mal. Qualquer aproximação sua é vista com desconfiança. Você, claro, já está apaixonada por outro(s), nem lembra mais quem é o tal ex, mas ele tem certeza absoluta que sua alegria aparente é só fachada. Você tá querendo é mostrar que tá tudo bem, imagina. Tá com outro na frente dele só pra fazer ciúme obviamente. É, claro, nosso mundo gira mesmo em torno de vocês.
P.S.: Tenho certeza que vai ter um monte de marmanjo pensando: esse post foi escrito pra mim.
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Segunda-feira, Julho 21, 2008
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10:00 PM
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Só, somente só
Sabe a sensação de tomar decisões sozinha? Acho que é isso que tem me feito amar tanto estar só. Decidir hoje vou no cinema, depois vou tomar uma vodca e chegar em casa e ouvir The Doors no último volume. Ou hoje vou pra praia, ler, olhar o mar, apreciar o Rio. Sair de lá e não falar com ninguém. Desligar o celular e não me preocupar em ser achada. Ir pro Maracanã, emendar um samba, num domingo de chuva. Estar só por opção. Jantar sozinha num restaurante foda. Parar de pensar em companhia pras coisas. Eu me basto.
Acho que dessa descoberta é que vem vindo essa vontade imensa de morar sozinha, só eu (o The Doors no último volume só rola de manhã quando todos saíram pra trabalhar). Não sei até que ponto virei egoísta demais ou auto-suficiente demais. A verdade é que não preciso mais tanto assim de gente. Preciso saber que elas existem, estarão lá caso venha a precisar. Mas não tenho a necessidade mais de estar o tempo todo sendo cuidada. Eu me cuido. Falo sozinha, bebo sozinha, danço sozinha, vou à praia sozinha, vou dormir sozinha, acordo sozinha. E estou bem, maravilhosamente bem. Me companhia me satisfaz.
Pode ser que passe, claro, que seja só o reflexo de anos de um coração dependente, de uma carência absurdamente escancarada. Pode ser que amanhã volte tudo, essa necessidade desesperada de dizer boa noite, de conversar, de querer dar satisfação. Pode ser que eu acorde a mais canceriana do mundo, querendo colo, querendo cuidar. Pode ser. Mas hoje estou bem assim. Com minha cerveja de garrafa sozinha na mesa do bar, sem preocupações de copos pro tim tim. Lendo jornal enquanto almoço, com um prato, uma faca, um garfo. Só, somente só. E maravilhosamente só.
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Sexta-feira, Julho 18, 2008
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7:33 PM
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O encanto se quebrou
Quando e porque uma paixão começa sempre foi uma incógnita pra mim, mas sei exatamente o ponto em que todas as minhas terminaram. E em todas as vezes que deixei de estar apaixonada por alguém, as causas sempre foram duas: quando uma paixão nova acabou com a antiga, o que nem sempre fez tanto sentido (quantas vezes você não largou um Brad Pitt por um Tony Blair?), ou quando o objeto das minhas paixonites pisaram feio na bola.
Uma traição emblemática é o exemplo que lembro de cara, não pelo trair em si, que cansei de relevar e de fazer, mas pelas circunstâncias e contexto do ato ilícito. Ver a cena pelo reflexo do espelho do banheiro masculino mudou de maneira irreversível o que eu sentia. Outro fim da paixão marcante foi um pouco parecido, com a diferença de que o dito-cujo era apenas um ex e não me devia mais satisfação. Mas o estranhamento causado pela semelhança física da dita-cuja me revoltou: por quê ficar comigo e com praticamente uma sósia minha na minha frente?
Pois bem, muitas vezes as razões que levam ao fim do encantamento nem sempre são assim tão claras. Pode ser uma frase dita na hora errada, que te pega de mal jeito. Pode ser a descoberta de uma mentira pequena, mas muito mal contada. Pode ser uma atitude boba, mas mal pensada. Pode ser até uma briga estúpida por um time de futebol ou por um bicho de estimação, que demonstram egoísmo e baixeza nunca antes percebidos. Independente da causa, pequena ou grande, quando o encanto se quebra é como um vidro rachado: você pode até colar depois, mas nunca mais vai ser a mesma coisa se olhar no espelho.
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Terça-feira, Julho 01, 2008
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12:12 PM
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Foi no Champion e no Free lá de Bonsucesso
Nunca gostei de motel. Nem quando era adolescente e não tinha outra opção. Nem em datas comemorativas. Nem por causa da banheira. A primeira vez foi no Champion, do lado de casa na época, com meu primeiro namorado. Entrei no táxi de coque e óculos escuros, morrendo de medo de ser vista. O menino disse "Champion", o cara olhou aqueles dois pirralhos e perguntou: "que shopping?". É, não tinha como dar certo começando assim.
Depois desse dia, se fui cinco outras vezes, foi muito. A impressão que tenho é que motel siginifica performance. Você tá pagando os minutos, tem que transar todos eles. Dar uma não pode, tem que ser no mínimo três. Além da pressão, me incomoda pensar que mil outras pessoas transaram naquela cama. Não sou nada fresca, não tenho nojo algum de sexo, mas gente, quem garante que trocaram a roupa de cama? E aquela água da banheira? Uma vez eu transei duas vezes e vi três camisinhas no chão na hora de ir embora. Nojo, nojo, nojo.
Mas o que mais me incomoda de ir no motel é a falta de intimidade que ele passa. Na minha casa, na minha cama (ou na dele, que seja), tem fotos na cabeceira, tem espelho, não o do teto (que só me lembra mais performance), tem a música que eu quiser colocar, tem a blusa dele pra usar depois. E eu adoro escolher trilha sonora e vestir a blusa dele depois.
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Quinta-feira, Junho 26, 2008
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4:05 PM
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Se você já leu alguma vez o blog, está convidado para o lançamento do livro, nesse sábado!
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Sexta-feira, Junho 06, 2008
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5:47 PM
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Então tá, bonitão
Apelidos entre pessoas apaixonadas são sempre bregas – e lindos, quando se é um dos apaixonados. Eu mesma já fui chamada por coisas horríveis (cani cani é só um dos exemplos) e lembro de um milhão de nomezinhos fofos e divertidos que ouvi entre casais de amigos. Mas, no mundo dos relacionamentos amorosos, uma regra é clara neste quesito: repetir com o atual o apelido do ex é feio, muito feio. Confesso que me pego cometendo o pecado às vezes, mas claro, nunca é conscientemente. Dia desses, apagando torpedos velhos do celular, encontrei dois tão parecidos, pra pessoas tão diferentes, que gelei: eu estava cruzando o limite ético dos apelidos! Me corrigi rapidamente e parei de chamar o peguete atual do apelido do anterior. Eu, afinal, não gostaria de ser tratada com tanto descaso.
Pois bem, uma coisa são os apelidos, outra são os jargões. Sim, eu tenho os meus. “Amore”, pras mulheres, e “bonitão”, pros homens, são alguns dos mais comuns. Não sei se gosto de ambos, me cheira a deboche e acredito que muitos pensem da mesma maneira - mas só eu sei como é difícil arrancá-los do meu vocabulário. Tento, quando incomoda, mas geralmente é em vão.
O “bonitão” já rendeu situações engraçadas. Uma vez cumprimentei um bonitão de verdade com o já tradicional “oi bonitão” e uma colega de trabalho comentou, espantada: "nossa, você é corajosa de chamar ele assim na frente de todo mundo". Respondi que sou sim corajosa, mas não naquele caso. "Bonitão", expliquei, "são todos os homens, feios ou bonitos, peguetes ou amigos". Ela não se convenceu muito, achou que eu tava é dando mole descarado (e pior, talvez ele também tenha achado). Mas, mesmo que provoque confusões, tenho certeza de que não sou mais capaz de deixar de usar o jargão. No fundo sei que se um dia, alguém ofendido pedir pra não ser chamado assim, talvez sem perceber eu responda “então tá, bonitão”.
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Sexta-feira, Maio 23, 2008
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4:19 PM
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I don't belong to you and you don't belong to me
Eu sou a ex-de-fulano pra galera da escola, a ex-de-ciclano pra galera da faculdade, a ex-de-beltrano pra galera do bairro. E nada me irrita mais nesse mundo do que ser lembrada como a ex-de-alguém. Primeiro que são tantos exs, e todos tão diferentes uns dos outros, que fica meio na cara meu parâmetro sem-noção para arrumar namorados. Segundo, que nada é mais chato do que ser lembrada por uma fase na vida, ainda mais quando a tal fase não é lá digna de memoráveis recordações. E terceiro, meu deus, porque as pessoas não pertencem às outras. Nem quando são atuais, imagine quando são exs.
Volto ao assunto do post aí debaixo pra me explicar melhor. Eu não furei olho de ninguém, nunca na vida. Fiquei com ex-namorados, ex-casos, mas nunca com atuais. E, vejam bem, não sou nem um pouco hipócrita quanto a isso. Se uma amiga minha quiser pegar um ex meu, eu dou total apoio, de verdade (e se for o caso, tiro ela de uma furada). Tenho uma amiga que veio chorando me contar que havia ficado bêbada com um ex. Eu tentando explicar pra ela que não tinha problema algum, que ele não era meu, não me pertencia e blá blá blá e ela chorando. Eu havia terminado com ele, estava namorando outro (ex de uma amiga minha) e não fazia sentido mais me importar com aquilo.
Claro que tem ex e ex. Se a amiga gostar do cara, nem precisa ser ex pra ser proibido. Mesmo que ela nunca tenha ficado com ele na vida, mas se eu souber que isso vai doer, não fico mesmo. Agora, se eu sacar que é pura e simplesmente posse e tiver mesmo a fim do cara, chamo a amiga pra uma conversa. E fico, pronto. O que costuma acontecer, na maioria dos casos, é que o tal ex não vale o esforço. E fica mais fácil focar nos solteiros na praça (e ex de outras que não sejam as minhas amigas). Até pra não perder a graça de descobrir os podres do cara por minha conta. Pela amiga contando é meio chato.
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Quinta-feira, Maio 15, 2008
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6:55 PM
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Pra não dizer que não falei das flores
Lembro como se fosse ontem do dia em que sacaneei pela primeira vez uma amiga por causa de homem. Eu tinha no máximo uns 13 anos, era uma festinha daquelas de dança da vassoura, amiguinhos da rua levando salgadinhos e refrigerantes. Eu ficava com um menininho (feio, que dói, por sinal), mas decidi variar e beijar um dos meus melhores amigos, loirinho, olho claro, palhaço e tudo mais. A minha amiga já tinha se apaixonado, tinha rolado um namorico, mas, sei lá porque, não rolava mais. Sincera como sempre, perguntei pra ela se tava tudo bem se eu ficasse com ele. Ela disse, tá. Não lembro da expressão, não lembro do tom, mas lembro que ela concordou.
Eu, claro, fiquei com o menino e no dia seguinte recebi uma carta enorme dela, dizendo o quanto eu era cruel. As frases eram mais ou menos assim: vc nem gostava dele, sabia que eu ainda queria ficar, blá blá blá. Me senti a mais falsa das amigas, mas não aprendi a lição. Anos depois, quase dez, fiquei com o ex-namorado da minha amiga uns dois meses depois do término. O bafafá na faculdade foi enorme, todos me acusando de má amiga, mas eu, de novo, tinha consultado a dita-cuja, que me pareceu levar tudo na boa.
Casos assim não são raros entre nós, eu não sou mais escrota que a maioria, apenas mais sincera. Grande parte das mulheres pega sim ex-peguete-namorado-noivo-marido de amiga (quando não é atual), mas guarda até o túmulo. Mas se a tal amiga descobre é um tal de não falar nunca mais, jurar ódio eterno e prometer vingança. Pois bem, sejamos sinceras: quantos homens vocês conhecem que fazem o mesmo? Eu, sinceramente, não lembro de nenhum. A explicação, ao meu ver, é simples: eles dão muito mais importância à amizade que nós. Ou quem sabe, dão menos importância às mulheres que nós damos a eles num relacionamento. Não importa.
E não me odeiem meninas, é verdade, todas sabemos. Podemos reclamar de falta de fidelidade conosco, mas nunca da traição entre eles.
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Domingo, Maio 11, 2008
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10:01 PM
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Teus sinais me confundem da cabeça aos pés
Um dia resolvi pedir ajuda a um amigo homem sobre os sinais masculinos. Ele achou graça e disse calmamente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo: mas a gente não dá sinais, vocês é que ficam fazendo mil coisas, querendo dizer o simples, e ainda reclamam porque a gente não entende. É, dou o braço a torcer, complicamos mesmo. Na hora da raiva é: acabou, tudo terminado entre nós. Mas atenção à tecla sap feminina: seu besta, eu gosto de vc, faz um esforcinho, faz.
Como a gente não diz o óbvio, fica tentando entender sinais onde não existem. Ele te liga pra dizer oi. Tá apaixonado, claro, pensariam as mais ingênuas. Nada, acordou de bom humor (e ai de você se fizer o mesmo!). É meninas, a gente fica aqui, morrendo de ódio quando quer ser convidada pra uma esticada, jogando indiretas e eles não pescam, mas sabe por quê? Eles não pescam mesmo. Pra raça masculina entender o recado tem que ser "vamos dar uma esticada?".
Mas se eles argumentam que os famigerados sinais não servem pra nada, eu rebato que servem sim. Seria bem mais fácil pra nós se, em vez de terminarem do nada, eles dessem uns toquezinhos. Custa mostrar que acabou? Custa não atender o telefone? Custa. É mais fácil sempre dizer que vai ligar e não ligar. É mais fácil, né meninos, colocar a culpa na nossa TPM e dizer que terminou porque demos chilique. É mais fácil fazer tudo errado, obrigar a gente a tomar a decisão do término sempre.
E não digam que só os adolescentes fazem isso não. Conheço muito marmanjo de 40 anos que até hoje não sabe terminar, não sabe insinuar o que tá errado. Nessas horas seria mais fácil dar sinais, sabe? Juro que a gente ia entender.
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