Marina G

Terça-feira, Novembro 03, 2009


Meu pintinho amarelinho cabe aqui na minha mão

Dois ou três acontecimentos recentes me fizeram tomar coragem pra escrever esse post, um tabu pra homens e mulheres: o famigerado pau pequeno. O primeiro, e mais recente, foi a confirmação do Selton Mello no CQC, da fama que a boca pequena (ops) sempre espalhou: ele não é avantajado (e isso é um eufemismo, dizem por aí). O segundo veio de um amigo, bem mais novo, que me perguntou se tamanho era importante. "É que eu não tenho um enorme", confessou. O terceiro foi de um outro amigo, gay, que pediu minha opinião sobre o que era um cara bom de cama. E emendou que sempre achou que só gay se importava com tamanho. Respondendo, é importante. Mas nem tanto.

Ser bom de cama definitivamente não é sinônimo de ter pau grande. Tenho uma amiga que costuma agradecer aos céus quando dá de cara com um dos sortudos. "Obrigada senhor" é seu bordão favorito. Mas pera lá. Há os que acham que o fato, por si só, já basta. Gente, é grande, não mágico. Tem também os que se garantem tanto no tamanho que extrapolam na segurança. Outro dia, um cara mandou uma digna da lista das piores frases de 2009: "ele é grande não é?" Querido, eu tô (errr) vendo, vc ainda precisa repetir? Brochei na hora. E o avantajado, que mandava bem, foi pra escanteio.

Imagino que ter pau pequeno seja quase um karma, um trauma que vem de infância, que traz junto um monte de insegurança e neuras. Não sei se existe uma solução - sem ser aquelas dos spams que vira e mexe chegam nas nossas caixas de email. Mas, na minha humilde opinião, o cara que assume seu amiguinho pequeno na boa é o que sabe se virar melhor nos 30. Namorei um deles. Era o rei das preliminares (e das pós liminares). Até esqueci momentaneamente o que ficava faltando. A surpresa (e decepção que a acompanha) sempre vai existir. Mas ele vai tirar de letra se souber fazer bem o que os avantajados costumam esquecer.


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Quarta-feira, Outubro 21, 2009


Ai, que saudade sem fim

Tirando minha primeira paixão, a do primeiro pé na bunda, nunca amei à distância. Nada contra quem acredita que dê certo, mas eu sinceramente não me vejo alimentando um namoro via msn, email, cartões postais (sim, nem todo mundo é antenado) ou skype. Não que a saudade seja uma coisa simples, mas não acho que o grande problema seja ela. Definitivamente não. O maior problema é ausência de dia a dia, de convivência. Sabe aquela coisa de conto de fadas que acaba na hora do "e eles viveram felizes pra sempre"? Mais ou menos a mesma coisa.

Um amigo, solteiro invicto, me apareceu outro dia com um papinho de "estou amando e ela mora longe". Estranhei. Tanta gente pra se amar aqui nessa cidade - e olha que ele experimenta bem - e ele se apaixona por uma gatinha que conheceu num fim de semana e depois foi embora? Mas é claro que sim. É mais fácil se apaixonar quando não se tem convivência, briguinhas banais, dor de barriga e ciúme dia sim dia não. Ô se é.

Não estou dizendo que os namoros à distância são menos sinceros, mas se, o casal nunca passou um mês junto na mesma cidade, nunca teve que lidar com o mau humor dele ou a TPM dela, digamos, é pelo menos mais simples. Pode ser, sim, por que não?, que mesmo com o dia a dia essas coisas fiquem pequenas e facilmente digeridas. A Branca de Neve pode sim ter amado o princípe pra sempre. Mas pode também ser que não.


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Terça-feira, Agosto 18, 2009


Te perdôo por te trair

Tinha escrito, no fim de semana passado, um post sobre a traição, masculina e feminina, e suas nuances. Na hora de postar, por uma dessas malices tecnológicas, perdi o texto e fiquei com preguiça de voltar ao assunto. Eis que ontem, me chega, via twitter, uma matéria sobre o assunto, com uma das teorias mais machistas que eu já li em toda minha vida - sem ser numa missa ou no sensacional blog da Cleycianne: as mulheres solteiras preferem os homens casados. Não bastasse toda minha revolta com o texto em si, coleguinhas casadas começaram a se desesperar, também via twitter, com a afirmação. Não sei se o que mais me chocou foi a idiotice da teoria ou a repercussão que ela teve.

Tive que voltar ao assunto (até porque minha teoria é bem complexa e pouco aceita). Lá pelos idos de 1990, quando ainda frequentava matinês até às 23h, uma amiguinha do colégio já era descolada na arte da traição, e dava, em pleno Mello Tênis Clube, balões no namorado a cada ida ao banheiro. Apesar da cara de pau da menina, o rapaz, obviamente, nunca descobriu. Enquanto isso, meus amigos, ingênuos, fazem a mesma coisa e depois têm que se explicar em casa. É um tal de "tava bêbado" pra lá, "ela me agarrou" pra cá, que chega a ser patético. O que me fez formular, ainda nessa época, a seguinte teoria: os homens não traem mais ou menos, só fazem pior. A velha historinha pra boi dormir que mulher só trai quando está envolvida nunca me convenceu. Mas os homens, bobinhos, insistem em acreditar. Como se ser corno/galinha fosse uma questão de sexo.

Ou de aliança. Eu, que uso aliança de casada, embora não seja, sei do que falo. Já levei cantada até de gay na rua por causa dela. E também já levei sem estar usando a dita-cuja. Homens/mulheres gostam tanto de casados(as) quanto gostam de solteiros (as). Pode até ter um(a) ou outro (a) que se engrace mais pelo comprometido (a), até pelo perigo da coisa. Mas isso, minha gente, nada tem a ver com ser homem ou mulher. Cada um com seus problemas não? Dos 3.456 caras que eu já fiquei, por exemplo, uns três eram casados. E isso não tem nada a ver com moralismo, mas com praticidade. No mais, casadas, não se assustem. É só fazer o seu direitinho que fica tudo bem.


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Quinta-feira, Agosto 13, 2009


Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião

Primeiro pé na bunda: duas semanas de choro, 5 quilos a menos. Segundo pé na bunda: 10 na redação do vestibular no dia seguinte. Amei mais o primeiro que o segundo? Definitivamente não. Só aprendi mais rápido que a maioria das pessoas. Todo término é um saco, seja você a pessoa que tomou a iniciativa ou não. Claro que dói mais quando quem termina é o outro, não vou ser hipócrita. Mas só quem não esteve nunca aí pro namorado na vida pode achar um fim normal. Não é normal: é chato, doído, trabalhoso, desgastante, complicado. É chato falar as verdades, ou ouvir. É bem doído descobrir uma traição, ou trair e ser descoberto. É trabalhoso falar pra todo mundo que pergunta, "não sei, a gente terminou". É desgastante pegar suas roupas na casa dele depois (um namorado, se não colocou fogo nas minhas saias P e calças 38 de 2004, ainda tem meio armário meu na casa dele). E por último, é complicado começar de novo.

Sim, o processo da recém-solteirice é difícil, principalmente se você está há anos namorando e não tem mais a manha da noite. Ou se seus amigos estão todos casados ou com filhos. Pra muita gente, pra mim, inclusive, é um reaprendizado. É preciso relembrar como se dá mole (ou como saber se ela está dando mesmo mole), como se faz doce (ou como se lida com o doce alheio), como não se incomoda com o peguete pegando outra. É preciso se acostumar com possíveis secas, administrar casinhos ao mesmo tempo, saber pra quem dar (ou não) o telefone - ou o que mais se quiser.

E aí, depois que se aprende tudo de novo, quando finalmente estar solteiro é uma delícia, eis que surge o próximo amor da sua vida. E aí é preciso saber de novo quando pode ou quando não pode ter ciúme, a hora certa de apresentar pros pais, redescobrir como é legal ter sua cama pela metade sempre, entender que não se tem que sair só com as amigas todo sábado à noite. Aí, depois que se aprende tudo de novo, quando finalmente estar namorando é uma delícia, eis que surge o pé na bunda. Coisas da vida.


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Terça-feira, Julho 14, 2009


Blá blá blá blá blá, ti ti ti ti ti ti

Nesses meses de solteira (e com muitas amigas solteiras) descobri que uma verdade absoluta do universo masculino está caindo por terra: a revolução feminina criou homens que gostam - e alguns abusam - de discutir a relação. Eu mesma ouvi a frase com todas as letras, há um tempo atrás. Fiquei chocada, confesso. Não que naquele caso específico tenha sido uma coisa ruim, eu realmente achava que era a hora, mas escutar de uma voz masculina "Marina, vamos discutir a relação?", me deixou preocupada. Será que fomos nós que criamos esse espécie transgênica?

Sim, fomos nós. Não que os motivos sejam mais nobres: na minha humilde opinião, os homens agora só querem parecer menos cafajestes. Mas continuam sendo. Ele não te ligou a semana toda, conforme combinado, mas assim que te encontrar vai querer conversar. Provavelmente vai dizer que você é ótima, muito legal, mas ele ainda não está pronto, a ex aparece de vez em quando, e na verdade, ele não quer te envolver nisso. Outro caso típico: ele some, sem deixar rastros, mas um mês depois te manda um e-mail (!!!) super fofo, dizendo que estava enrolado com os trabalhos do mestrado, estava viajando a negócios ou que não está querendo compromisso sério.

À primeira vista, pode até parecer bonitinho. Acostumadas com homens trogloditas ou sinceros demais, achavamos que demos a sorte grande e que o cara merece até virar amigo. Balela. Ele é tão (ou mais) canalha que os outros, mas prefere não deixar isso tão claro assim. Se ele não te ligou e tinha combinado, se ele sumiu um mês, se ele prefere não ficar com você na frente da ex-namorada, está mais que claro que ele não quer nada sério. Conversar pra quê, me explica? Te digo: pra te deixar na geladeira. Semanas depois, vai que ele não tá fazendo nada e você aparece. Você vai lembrar como ele é bonzinho e achar que dessa vez vai. Boa sorte a todas.


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Quinta-feira, Julho 09, 2009


A gente ri, a gente chora e comemora um novo amor

Ela não está tão afim de você quando: só quer ficar com você em locais públicos, para não ter que transar; fica com você há dez anos e nunca rolou sexo; só te manda mensagem (bêbada) de madrugada; te liga no dia seguinte, porque não se importa com o que você vai achar; pergunta se seu amigo gato está solteiro; te trata comigo amigo e começa a contar história de outros caras; te chama pra sair e só te beija na hora de ir embora (e diz, foi ótimo, obrigada pela companhia); não te atende na sétima vez em que você liga; acha graça de um testemunho seu, e mostra pra todas amigas, rindo; não está nem aí porque você não se manifestou em nenhuma das sete tecnologias.

Ela não está mais afim de você quando: você manda torpedos fofos e ela esquece de responder; desliga o telefone pra não ter que te atender; não fica feliz com flores sem motivos; não chora mais com um pedido de casamento no filme; não quer transar com você na sexta à noite, mesmo alegrinha; prefere ir no cinema sozinha do que tomar uma com você no bar; acha seus amigos engraçados tão chatos quanto você; não retorna as chamadas não atendidas; nem liga de você descobrir que saiu na noite anterior sem avisar; te incentiva a sair com seus amigos, ao invés de sair com você.

Ele não está tão/mais afim de você quando: não te liga de volta.


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Sábado, Junho 13, 2009


Ó cupido, vá longe de mim

Obviamente não me lembro de todos os meus dia dos namorados, mas um em especial é memorável: marcamos em um shopping, em frente a uma loja, depois da aula na faculdade. Chegando no ponto de encontro, vejo outras 258.467.152.346 pessoas e um palco enorme. Era show do Carlinhos de Jesus, exatamente no local marcado. Sem celular (eu demorei para aderir a moda) - quem nunca namorou na era pré-celulática não tem ideia do que é estar perdida no meio de uma multidão em um shopping sem qualquer meio de comunicação -, entrei em pânico. O menino já tinha me avistado, mas resolveu fazer uma surpresa com um presentinho-extra de última hora. E eu xingando todos os antepassados do Carlinhos de Jesus.

Um ano antes desse, ainda enrolada com o ex, tive a clássica dúvida: comprar ou não comprar presente? O espertinho se adiantou e disse que só compraria se eu comprasse. Ele não merecia, tava aprontando e ainda pegava uma menina que me odiava. Claro que eu disse que compraria. Ele comprou, eu não. E ainda tive a vingança perfeita: a dita-cuja ligou bem no dia, pra falar qualquer gracinha. Ele tava de saco cheio dela e perguntou se eu não queria atender o telefone. Como não queria ir pro céu, fiz esse pequeno esforcinho.

No ano passado, primeiro da solteirice depois de uns sete anos consecutivos de namoro, tudo que eu queria era não ter que pensar em filas, presentes, programas de índio e afins. Juntei meia dúzia de amigas encalhadas como eu e fomos pra Casa da Matriz. Logo na fila percebemos que a quantidade de homens que gostam de ir pra Matriz às quintas estava um pouco acima da média. Obviamente ninguém saiu desacompanhada. Lá pelas tantas o meu par de uma-noite-só entrou no espírito festivo da data e começou a ter uma crise de ciúmes: andava me protegendo de qualquer esbarrão mal intencionado e deu piti na fila porque um cara puxou assunto. Detalhe: a gente tinha acabado de se conhecer. Apelidei o menino de ciumento e ignorei o torpedo do dia seguinte, sem remorso algum.


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Quinta-feira, Junho 04, 2009


Sambo bem a dois por mim

Dia desses uma amiga apaixonadíssima me pediu ajuda para escrever um email, um cartão, não lembro mais o quê, pro namorado. Eu me dei conta que não sei escrever estando desapaixonada. E foi aí que descobri que, nesse momento, não existe alguém menos apaixonada do que eu. Dificilmente isso acontece na minha vida, acho que posso contar no dedo os dias em que o fenômeno da não-paixão-total ocorreu. A bem da verdade é que, até a primeira vez eu era uma perdida, sem coração, fria e calculista. Namorava por namorar, traía a torto e a direito, maltratava corações adolescentes sem dó. Até que o amor me pegou (olha como eu tô péssima pra escrever, gente!) e nunca mais fui a mesma. Grudenta, possessiva, ciumenta, desencanada, bem-resolvida. Passei por todas as etapas de menina apaixonada e sobrevivi a todas. Até que a paixão se foi.

Confesso que me faz falta pensar em alguém ouvindo um bom samba dor-de-cotovelo, ou vendo um filmezinho romântico no cinema. E claro que uma companhia seria muito bem-vinda no frio maledito que se está fazendo no Rio de Janeiro, principalmente aos domingos de Faustão. Mas, paradoxalmente, nunca estive tão bem comigo mesma e tão certa da minha auto-confiança. Não, definitivamente não é um ode à solteirice - em véspera de Dia dos Namorados isso pode parecer um tanto quanto invejoso - mas estranhamente estou com preguiça de me apaixonar ultimamente. Preguiça, perguntarão os mais românticos? Sim, pura preguiça.

Um amigo, que acaba de fazer o caminho oposto (depois de 26 anos sem se apaixonar, engatou dois namoros na sequência), me disse que se eu não estava namorando é porque no fundo não queria arrumar um namorado. Ele, por sua vez, que fugiu disso até então, agora tinha descoberto como era legal se entregar, e não queria outra vida. Pode ser. O que significa que a vida inteira eu procurei um par, porque sempre estive (bem ou mal) acompanhada. Pode ser também, e isso já me passou pela cabeça, que tenha me tornado seletiva demais, depois de tantas paixões. Ou ainda, quem sabe, eu esteja falando um monte de besteira e amanhã mesmo encontre minha mais nova alma gêmea. E a tempo do dia 12. Vá saber.


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Terça-feira, Maio 12, 2009


Vou deixar a casa aberta

A gente estava junto há quase três anos, mas ele morria de medo de casamento. Até pensamos em morar juntos, mas percebendo o apavoramento do moço, descartei a ideia sendo uma namorada compreensiva que sabe que tudo tem seu tempo. Por reviravoltas do destino, terminamos e não é que meses depois o rapaz vai morar em outro estado com a nova namorada? E o cara de pau ainda se justifica dizendo: "perdi você por medo e não queria perder ela pelo mesmo motivo". Como a história volta e meia torna a se repetir, com outras nuances e outros personagens, acho que vou começar a cobrar para preparar meus exs namorados para as próximas.

Ainda não consegui entender porque isso acontece, mas imagino que eu seja uma namorada/peguete/ficante tão legal que acabo ensinando aos dito-cujos como é fácil se comprometer. Eles aprendem direitinho e põem em prática com a seguinte. Então, se seu casinho está te enrolando, não sabe o quer da vida, tem medo de assumir um relacionamento sério ou é muito inseguro, me apresente. Faço as honras da casa com todo prazer.

É claro que cada uma tem sua sina. Tenho uma amiga que tem até trauma em pegar caras que estão enrolados com as exs: é só ela pintar que a ex reaparece com força total, ele sente uma saudade enorme e eles acabam voltando. E amiga fica sempre a ver navios. Outra(s) é especialista em regenerar recém-separados, de preferência com filhos. Cada um com seus problemas.


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Sábado, Abril 25, 2009


O meu coração tem mania de amor

"Nem eu nem ela merecemos menos do que um grande amor". A frase de um amigo que justificava um término recente, ficou martelando na minha cabeça a semana toda. Claro que todos nós sabemos que merecemos sempre um grande amor, mas muitas vezes acabamos nos contentando com migalhas que a vida nos dá, sem nem mesmo perceber. E é um tal de namorar um cara legal sem estar apaixonada; ou de achar que o comprometido vai terminar o namoro só por nossa causa; ou de acreditar que o galinha que só te liga de madrugada vai virar namorado. Furadas que quem tá de fora percebe bem melhor do que a gente, e mesmo assim, custamos a ouvir conselhos alheios.

Se você nunca viveu um grande amor, talvez não saiba mesmo como é frustante entrar nessas roubadas. Agora, toda pessoa que já viveu um, deveria ser proibido de se contentar com tão pouco. Não existe nada melhor no mundo do que uma paixão correspondida, uma surpresa que chega quando se menos espera, uma entrega total e recíproca. Não, minha gente, não dá pra ficar feliz com um "lembrei de você ontem à noite", se a gente pode ter um "te amo" de verdade. Não dá pra ter um namorado só legal se a gente pode ter um legal e que a gente queira estar junto o tempo todo.

E sabe o que é o pior disso tudo? Pode acontecer da gente estar tão preocupado com o amor-meia-boca que a vida nos deu, que nos fechamos para o amor de verdade. Ficamos ali, tentando se convencer que o ex vai mudar, que o casado vai se separar, ou que vamos nos apaixonar pelo bonitinho que manda flores, que nem vemos aquele amigo do amigo do amigo que é um fofo e gostou da gente. Conheço uma menina que esperou tanto o menino se decidir que, quando viu, ele já tava casado com outra. O que ela fez? Continuou ali, achando que um dia ele ia afinal se declarar. Lá se vão alguns anos e desde então ela nunca mais amou ninguém de verdade. E nunca foi amada. Vive programando a vida em função das brechas que têm na vida do cara. Quer saber? Se é pra abrir mão da nossa tão prezada liberdade, que seja só por um grande amor.


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Domingo, Abril 12, 2009


Quero ver se você tem atitude se vai encarar

Uns meses atrás, conversando com um amigo que já foi casado, ouvi uma frase que me fez pensar: "é muito mais fácil namorar uma menininha, mulher feita dá trabalho". Ele, ao contrário de grande parte dos homens, preferia as mulheres com M maiúsculo, mas assumia que realmente era bem raro. Me lembrei de um bando de amigos meus, uns três pelo menos são fãs de carteirinha, que, já com seus 25, 30, vivem se apaixonando pelas de 18. Nada contra, preconceito zero de verdade, mas não tenho ideia do que eu faria com um pirralho de 18 anos. Nem pra dar uns beijos acho que vale a pena.

Fora o fato de nós mulheres amadurecermos mais rápido que eles, um cara de 18 está entrando na faculdade agora. Tirando casos bem raros, ele provavelmente ainda não paga as contas, mora com os pais, não sabe o que quer da vida, nunca traballhou. Também fora alguns mais espertinhos, não tem um gosto musical formado, vai pras festas pra ficar bêbado e pegar mulher (ok, isso dura até uns 40 anos), gosta só de filmes de luta e histórias em quadrinhos e nunca ouviu falar de Neruda. Imagino que as meninas de 18 não sejam muito diferente disso.

Então, por que meu Deus, namorar uma menina que não gosta das mesmas coisas, não tem os mesmos papos, não frequenta os mesmos programas, e nem sempre pode viajar com você? Meu amigo lá de cima do post deu a resposta: ela não bate de frente, faz o que você quiser sempre, não fica nem sabendo das suas saídas escondidas - porque afinal, você deve frequentar os lugares próprios pra sua idade, suponho -, acredita (mais) facilmente nas suas desculpas esfarrapadas. Mas dificilmente bebe que nem você, conhece as músicas que você gosta, filosofa sobre a vida. Dificilmente uma menina vai querer ver Woody Allen, falar sobre a tabela do Carioca - possivelmente você quem apresentou ela ao Maracanã -, ou ir numa roda de samba e saber cantar Cartola. Isso tudo sem entrar no mérito das diferenças na cama.

Tem muita gente que prefere se privar disso a se estressar num namoro. Eu, graças a Deus, não.


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Terça-feira, Março 31, 2009


Senhor juiz este casamento será pra mim todo meu tormento

Dia desses fui na casa de uma amiga que está há alguns meses na árdua tarefa de organizar detalhes para o seu casamento - daqui a "apenas" um ano e meio - e ouvi dela a seguinte frase: "vi umas fotos de uma festa que é perfeita pra você, o lugar é lindo e os noivos entravam ao som de uma banda de chorinho". Coincidentemente, na semana seguinte, saiu a edição especial de Noivas, que todo ano fazemos aqui na nossa editoria. Me apaixonei de cara por um vestido, na verdade duas peças, tomara-que-caia e longuete. Chique e simples. Os episódios abriram meus olhos para uma revelação surpreendente: talvez eu queira me casar.

A constatação parece ser bem contraditória, já que nunca acreditei no pra sempre (talvez em 1996 eu tenha acreditado, assumo, mas era meu primeiro namoro sério). E pra que casar, fazer festa, gastar rios de dinheiro com um vestido que nunca mais será usado, se eu acredito que nenhum relacionamento dure pra sempre? Qual a lógica de fazer planos eternos, sonhar com casa própria, lua-de-mel, dividir contas, se um dia tudo pode (e vai) acabar? Morar junto sempre foi meu ideal prático de vida a dois. E isso eu sempre quis. Mas nunca, até então, havia passado pela minha cabeça fazer festa alguma. Meu pai deve ter sido meu modelo: casou duas vezes no civil; na primeira com minha mãe e um barrigão enorme por baixo de um vestidinho clarinho estampado; na segunda, dez anos depois de morar junto com a minha madrasta. Nunca gastou um tostão com festas e sempre foi muito bem casado.

Ainda não sei se foi a proximidade dos 30, cada vez mais evidente; a quantidade de amigas (ou amigas das amigas) falando de festa de casamento; ou ainda o tomara-que-caia com a longuete e a imagem de uma cerimônia ao som de um chorinho. Ou tudo junto. A questão é quero me casar, fazer festa, com direito a vestido branco, bolo e tudo mais. Claro que sem preparativos excessivos, sem convites tradicionais, sem igreja, padre, essas coisas caretas. Na praia, com roda de samba, feijoada (não combina com vestido branco né?); no sítio, com chorinho e pôr-do-sol. E descalça. Só falta encontrar o marido.


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Quinta-feira, Março 12, 2009


Sempre o último a saber

Ela conhecia os gestos, de quando era verdade ou era mentira o que ele dizia. Sabia quando a blusa era nova e ele nunca tinha usado antes. Sabia até das manchas nas camisetas antigas. O que ele gostava de comer vendo o jogo de futebol, que dia de verdade ele tinha nascido, os bares que ele gostava de ir depois do trabalho. Sabia o humor dele quando acordava, do que gostava de fazer antes mesmo de escovar os dentes. Conhecia bem as variações de humor e sabia o que fazer em cada uma delas. Conhecia seus horários, a rotina do trabalho. Conhecia bem seus amigos, suas brincadeiras e apelidos, sabia quem tava lá pra sempre e quem deveria ser de passagem.

Sabia do seu passado, das anteriores, das que marcaram, das que não disseram nada. Sabia a cara que ele fazia quando não tinha o que dizer, de como mudava de assunto, de como ele fazia para evitar certos temas. Sabia do lhe afligia, da saudade desmedida de quem tinha ido, da música que lembrava a infância, do filme que ele não cansava de ver. Sabia quando era querida e quando a presença dela sobrava. Sabia onde encontrá-lo, em que hora ligar, em que dia sumir. Sabia onde ele estava, mesmo sem saber.

Sabia que não era dele e nem ele dela. Sabia que existia um limite, que ora ele andaria um pouco para frente, mas logo depois teria que recuar. Sabia de tudo que não seria. Sabia que não ganharia presentes, nem cartas, nem flores, nem surpresas. Sabia que ele nunca estaria no aeroporto, que nunca iria na casa de seus pais, que nunca mandaria uma mensagem porque havia pensando nela no meio da tarde. Sabia até onde poderia ir. E sabia que sempre saberia mais dele que ele dela. E um dia, sabendo de tanta coisa, ela soube a hora de ir. E foi.


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Quarta-feira, Março 04, 2009


Vou beijar-te agora, não me leve a mal hoje é carnaval

Nada contra quem gosta de fazer do carnaval uma micareta de quatro dias - ou seriam 10? - mas nunca me apeteceu essa história de beijar saliva alheia. Beijinho, beijinho, tchau, tchau me parece coisa de adolescente e eu sempre achei mais legal ficar com um carinha legal todos os dias, ou um por um dia (ou por bloco), que seja. Mas nunca tive nada contra quem gosta dos beijos roubados, cantadas baratas e afins. E este ano resolvi estar mais aberta a essas efemeridades momescas, pra ver no que dava.

Fui simpática até o osso com os piadistas fantasiados, e até, confesso, tentei achar um pierrô desconhecido a cada vez que o verso do título do post tocava. Ouvi abobrinhas, mas também boas cantadas. Conheci drags de fio-dental, mas piratas bem interessantes. Mas ainda assim: em vão. Fiz avanços, é claro. Mas continuo preferindo os amigos, ou amigos dos amigos, ou mesmo os de sempre.

Pode parecer medo, puritanismo, ou ainda hipocrisia. Mas juro, não é nada disso. Nada contra mascarados de temporada, nada contra dar uns beijos sem querer ver a pessoa de novo - ou encontrar o sujeito aos amassos com outra segundos depois -, nada contra o euforia carnavalesca que faz com que todos sejam mais belos e simpáticos. Eu simplesmente morro de preguiça de conversar em pleno bloco. E até hoje não aprendi a arte de beijar sem fazer perguntas.


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Terça-feira, Janeiro 27, 2009


O lado de lá

Gente, tentei, juro, fazer uma lista de frases toscas que meus amigos homens ouviram em 2008. Mas não recebi uma sugestão sequer. A maioria diz que só funciona no contexto, e vá lá, pode até ser. Por isso, e pra não dizer que não falei das flores, resolvi pegar emprestada uma lista do meu mais novo preferido blog dos últimos tempos: o Manual do Cafajeste (para mulheres). Utílissimo, acreditem. Ah, sim, eu detesto todas as malas citadas abaixo e tenho que admitir que algumas são minhas amigas (na verdade, colegas, ou amigas das amigas, pra não criar conflitos):

Você é uma mala?
Certa vez fiz um post sobre os tipos de mulheres chatinhas. Para complementar, observei outros tipos que rondam por ai e não foram colocados naquela lista.

Seguem 8 novos tipos e as situações que eles se manifestam:

1-) A mala da internet

Mala – Oiiiii!!!
Garoto – Oi (depois de 5 minutos)
Mala – Tudo bom?!?!?
Garoto – Sim (depois de 7 minutos)
Mala – Quais são as 9dades??
Garoto – Nada demais (depois de 10 minutos)
Mala – E ai planos para o fds!?!?!
Mala – “Pedido de atenção” (o famoso treme-treme no MSN)
Garoto – Ainda to vendo
Mala – Ai como vc ta monossilábico
Garoto – (off-line)

2-) A mala do feedback (depois do sexo)

Mala – E ai, gostou?
Garoto – Foi legal.
Mala – “Legal”? Ai que frio…
Garoto – Ok, foi bom, curti.
Mala – Só?
Garoto - Não gata, eu gostei, só não gosto de ficar falando sobre isso agora. É algo que vem espontaneamente.
Mala - Ta bom, ta bom, já peguei o recado (em tom estupefato).
Garoto – Vamos dormir um pouco? (início da depressão pós-sexo)

3-) A mala “Quero-mostrar-que-tenho-namorado”

Homem 1 – Porra, o chopp desse bar é bom pra cacete…geladinho
Homem 2 – Foda!
Mala – Eu também gosto, mas o MEU NAMORADO (entonação diferente) reclama que o colarinho vem alto
(…)
Homem 3 – Então cara, estou pensando em fazer uma pós em administração.
Homem 2 – Po, do caralho!
Mala – Ah, o pai do MEU NAMORADO (entonação diferente) fez quando era mais jovem, hoje ele é o presidente de companhia “x”
(…)
Homem 1 – E você fulana, já pensou em ter um cachorro?
Mala – Eu não, mas o MEU NAMORADO (entonação diferente) tem um Bullterrier lindo.
(…)

4-) A mala natureba

Homem 1 – Onde vai ser o esquenta dessa noite?!
Homem 2 – Pode ser naquele barzinho do lado da balada.
Mala – Eu não preciso beber pra me divertir. Aliás acho ridículo encher a cara e ficar rindo que nem um bobo. Vou ficar só no suco. Aliás, vocês sabiam que o álcool ativa radicais livres o que acelera o envelhecimento??
(silêncio)

5-) A mala carente

Ficante – Gata, vou ali pegar uma água e já volto.
Mala – Isso é desculpa pra me deixar aqui, né? Aposto que você não vai voltar.
(Se ele fosse ficar, as chances de retornar caem 50% depois dessa frase)
E se ele voltou:
Ficante – Me passa seu telefone pra combinarmos algo depois.
Mala – Passo, mas duvido que você vai ligar.
(agora provavelmente ele não liga)

6-) A mala insistente

Cel do homem – Oi gato! Saudades de você, quando nos veremos de novo?
(sem resposta)
Cel do homem – Oi! Só pra confirmar se você recebeu minha mensagem
(Essa mensagem pode vir por outros canais também como orkut, msn e e-mail)

7-) A mala sensibilizadora

Mala – Poxa, você sabe que eu gosto de você pra caramba, por que faz isso comigo?
Homem – Ah…

Mala – Nossa, ontem chorei muito por causa de você.
Homem – É, bem…será que chove hoje?

Mala - Minhas amigas dizem que você não presta, mas só eu sei o quanto você é especial pra mim.
Homem - Quem são essas amigas??!

8 -) A mala eterna adolescente

Homem – Oi! Tudo bom? E ai que achou da balada ontem?
Mala - Oi gatinho (aparece um emoticon felino) foi (aparece um emoticon indo embora) demais (aparece um emoticon com sinal de soma no lugar do “mais”)
Homem – (fica clicando em cima dos emoticons com o botão direito do mouse para decifrar o significado deles)
Mala – Cadê (aparece um emoticon “KD”) você (aparece um emoticon apontando pra tela)?
Homem – (offline)


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