Marina G

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006


O primeiro pé na bunda a gente nunca esquece

Um conjuntinho verde, saia curta e blusa listrada, não podia dar em outra coisa. Mas era assim que a gente se vestia na época - até para andar de patins que era a grande sensação do momento. Uma pista de patins, música, férias, amigos, um amor de verão. Nada combinava com o pé na bunda, a não ser o já citado (terrível) conjuntinho verde. Mas foi assim minha primeira rejeição. Doeu pouquinho mas doeu. E foi a primeira vez que me lembro de ter chorado por um canalha.

Anos depois, a segunda decepção amorosa veio acompanhada de muito mais lágrimas, e cinco quilos a menos (pois é, a gente sempre acaba ganhando alguma coisa boa coisa com esses momentos). Mas, aprendi com ela que, embora a gente pense que nada mais faz sentido depois de uma rejeição, tudo passa e o tempo é, sem dúvida, um ótimo companheiro. Assumo que, depois de descobrir que não morri depois do fim do meu primeiro namoro, todos os outros fins doeram menos.

Não posso dizer, claro, que aprendi a lidar bem com isso. Passei, é verdade, por pés na bunda fáceis, outros que guardaram marca por bastante tempo, mas nenhum deles insignificante. Acredite, mesmo que a pessoa em questão não seja absolutamente ninguém importante, ouvir um "acho que você merece alguém melhor do que eu", é cruel. E afinal, porque os homens inventam sempre as mesmas desculpas? Dizer um "não quero mais e pronto" seria bem mais compreensível e aceitável. Alguém precisa contar isso pra eles.


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Sexta-feira, Janeiro 27, 2006


Sobre signos e relacionamentos

Primeiro, quero esclarecer que embora leia o horóscopo diariamente, acredito piamente que aquela baboseira é feita por um programa de computador. Deixo bem claro também que nunca fiz mapa astral, nem pela internet. Mas, depois de três ex-namorados piscianos posso dizer que, ou é coincidência demais, ou esse lance de signos tem mesmo algum fundamento.

Água combina com água, mas não dá certo com fogo. Óbvio é, mas não tem funcionado comigo. Ok, ok, piscianos são carentes como eu (embora se mostrem fortes, como eu), sensíveis como eu e choram, não tanto como eu, mas choram. Mas, talvez por ser irracionalidade demais, as brigas são problemáticas. E acreditem, vocês não querem me ver brigando com alguém parecido comigo.

Aí entra fogo (dos bons, ariano) na vida de câncer. Aparentemente é uma relação impossível. Brigas diárias, sem que nenhum dos dois entenda os motivos do outro. Choro demais, de um lado só. Racionalidade demais do outro. Incompreensão mútua. Eu fui a primeira a não acreditar que daria certo. E ainda acreditei muitas vezes nos momentos críticos. E ainda acreditarei outras. Mas, não é que fogo tem dado certo há mais tempo que água? Deve ser porque, ao menos, as brigas são diferentes.


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Quinta-feira, Janeiro 26, 2006


Eu não sei mentir direito

Tenho um grande defeito que me deixa vulnerável a tal ponto de nunca ganhar um Big Brother, caso um dia eu tome coragem e resolva mandar um vídeo: não sei mentir direito. Nem guardar segredo, o que é conseqüência do primeiro defeito. Eu simplesmente esqueço que era segredo e acabo contando numa roda de amigos, por exemplo, que fulana está ficando com ciclano, o que era guardado a sete chaves há meses, já que fulana era amicíssima da ex-namorada de ciclano.

Graças a Deus ainda não perdi um amigo por isso (pensando bem, alguns andam meio sumidos), mas os que me conhecem bem relutam em me contar novidades depois de um tempo de convivência. E apesar de tudo, não considero esse o meu defeito mais grave: ao menos não faço de propósito, o que me deixa com a consciência tranqüila, mesmo quando amores e amizades são desfeitas graças as minhas trapalhadas.

O pior mesmo é que quase sempre falo antes de pensar. Sabe aquela menina fresca e chata que todo mundo evita na turma, que vive sozinha pelos cantos e sem amigos? Não, não sou eu. Eu sou a pessoa que fala pra ela, quando ela pergunta, claro, que ninguém chamou ela pra festa, ora bolas, porque ela é fresca e chata. Os mais sensíveis choram, os mais exaltados gritam, e outros passam a me evitar (às vezes sem que eu perceba e descubra o porquê). Mas a verdade é que, depois de um tempo, a maior parte acaba, acreditem, gostando de mim. Afnal, depois do meu, hã, digamos deslize, eles deixam de ser frescos e chatos, passam a fazer parte da turma e são chamados pras festas. E eu sou execrada, por ser a sincera demais. Faça-me o favor!


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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006


A Pati vestibulanda

Às vezes fico me perguntando se a personalidade é mesmo meu forte - como a maioria das pessoas costuma me taxar. Mas, pra quem critica tanto saltos e maquiagem, é esquisito pensar que eu mesma, que odeio patis e boates, já combinei cinto, com sandália (alta, sempre!) e bolsa. E já fiz disso uma das minhas preocupações diárias, lá pelos idos de 2000.

Posso fazer uma mea culpa e lembrar que era a fase confusa do pré-vestibular, onde são mesmo todos uns bitolados, mas nada justifica levar apostilas e mais apostilas em pastas transparentes só pra não usar mochila nas costas (que não combinava, obviamente, com meus saltos altos). A conclusão disso tudo é uma baita tendinite por conta de tanto peso nas mãos e uma ojeriza a saltos altos que me persegue até hoje.

Quem me vê de sandália rasteira em festa de formatura, e contabiliza dez chinelinhos a cada salto alto nas minhas gavetas, não acredita que eu já fui uma adepta fiel desta vestimenta ingrata. Tá certo, nunca fui mesmo fã de maquiagem, mas já tingi meu cabelo de preto azulado por boa parte de um ano inteiro (o tal longíquo 2000) e freqüentei assiduamente lugares barulhentos com meninos de gel no cabelo.

A bem verdade é que antes da fase pati vestibulanda eu já fui até funkeira. Nessa época ninguém me chamava de boladona ou cachorra, mas eu rebolava até o chão. E ainda fazia aulas de lambaeróbica. Mas aí é outra história e essa fica pra depois.


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