Marina G

Sábado, Junho 13, 2009


Ó cupido, vá longe de mim

Obviamente não me lembro de todos os meus dia dos namorados, mas um em especial é memorável: marcamos em um shopping, em frente a uma loja, depois da aula na faculdade. Chegando no ponto de encontro, vejo outras 258.467.152.346 pessoas e um palco enorme. Era show do Carlinhos de Jesus, exatamente no local marcado. Sem celular (eu demorei para aderir a moda) - quem nunca namorou na era pré-celulática não tem ideia do que é estar perdida no meio de uma multidão em um shopping sem qualquer meio de comunicação -, entrei em pânico. O menino já tinha me avistado, mas resolveu fazer uma surpresa com um presentinho-extra de última hora. E eu xingando todos os antepassados do Carlinhos de Jesus.

Um ano antes desse, ainda enrolada com o ex, tive a clássica dúvida: comprar ou não comprar presente? O espertinho se adiantou e disse que só compraria se eu comprasse. Ele não merecia, tava aprontando e ainda pegava uma menina que me odiava. Claro que eu disse que compraria. Ele comprou, eu não. E ainda tive a vingança perfeita: a dita-cuja ligou bem no dia, pra falar qualquer gracinha. Ele tava de saco cheio dela e perguntou se eu não queria atender o telefone. Como não queria ir pro céu, fiz esse pequeno esforcinho.

No ano passado, primeiro da solteirice depois de uns sete anos consecutivos de namoro, tudo que eu queria era não ter que pensar em filas, presentes, programas de índio e afins. Juntei meia dúzia de amigas encalhadas como eu e fomos pra Casa da Matriz. Logo na fila percebemos que a quantidade de homens que gostam de ir pra Matriz às quintas estava um pouco acima da média. Obviamente ninguém saiu desacompanhada. Lá pelas tantas o meu par de uma-noite-só entrou no espírito festivo da data e começou a ter uma crise de ciúmes: andava me protegendo de qualquer esbarrão mal intencionado e deu piti na fila porque um cara puxou assunto. Detalhe: a gente tinha acabado de se conhecer. Apelidei o menino de ciumento e ignorei o torpedo do dia seguinte, sem remorso algum.


Comments:

Quinta-feira, Junho 04, 2009


Sambo bem a dois por mim

Dia desses uma amiga apaixonadíssima me pediu ajuda para escrever um email, um cartão, não lembro mais o quê, pro namorado. Eu me dei conta que não sei escrever estando desapaixonada. E foi aí que descobri que, nesse momento, não existe alguém menos apaixonada do que eu. Dificilmente isso acontece na minha vida, acho que posso contar no dedo os dias em que o fenômeno da não-paixão-total ocorreu. A bem da verdade é que, até a primeira vez eu era uma perdida, sem coração, fria e calculista. Namorava por namorar, traía a torto e a direito, maltratava corações adolescentes sem dó. Até que o amor me pegou (olha como eu tô péssima pra escrever, gente!) e nunca mais fui a mesma. Grudenta, possessiva, ciumenta, desencanada, bem-resolvida. Passei por todas as etapas de menina apaixonada e sobrevivi a todas. Até que a paixão se foi.

Confesso que me faz falta pensar em alguém ouvindo um bom samba dor-de-cotovelo, ou vendo um filmezinho romântico no cinema. E claro que uma companhia seria muito bem-vinda no frio maledito que se está fazendo no Rio de Janeiro, principalmente aos domingos de Faustão. Mas, paradoxalmente, nunca estive tão bem comigo mesma e tão certa da minha auto-confiança. Não, definitivamente não é um ode à solteirice - em véspera de Dia dos Namorados isso pode parecer um tanto quanto invejoso - mas estranhamente estou com preguiça de me apaixonar ultimamente. Preguiça, perguntarão os mais românticos? Sim, pura preguiça.

Um amigo, que acaba de fazer o caminho oposto (depois de 26 anos sem se apaixonar, engatou dois namoros na sequência), me disse que se eu não estava namorando é porque no fundo não queria arrumar um namorado. Ele, por sua vez, que fugiu disso até então, agora tinha descoberto como era legal se entregar, e não queria outra vida. Pode ser. O que significa que a vida inteira eu procurei um par, porque sempre estive (bem ou mal) acompanhada. Pode ser também, e isso já me passou pela cabeça, que tenha me tornado seletiva demais, depois de tantas paixões. Ou ainda, quem sabe, eu esteja falando um monte de besteira e amanhã mesmo encontre minha mais nova alma gêmea. E a tempo do dia 12. Vá saber.


Comments:

Home